O que são peptídeos bioativos
Peptídeos bioativos são fragmentos curtos de proteínas — em geral de 2 a 20 aminoácidos — que, uma vez liberados, exercem algum efeito fisiológico além do valor nutricional da proteína de origem.
Eles ficam inativos dentro da proteína original e são liberados de três formas: pela digestão gastrointestinal, pela fermentação por microrganismos ou por hidrólise enzimática feita na indústria.
De onde eles vêm
As fontes mais estudadas são proteínas do leite (caseína e proteínas do soro), ovo, soja, peixes e cereais. O queijo maturado e o leite fermentado, por exemplo, contêm peptídeos gerados pelas bactérias durante o processo.
- Leite e derivados: caseinofosfopeptídeos, lactoferricina
- Soja: peptídeos com atividade antioxidante estudada
- Peixe e frutos do mar: hidrolisados com efeito estudado sobre pressão arterial
- Colágeno bovino e marinho: origem dos peptídeos de colágeno comerciais
Efeitos estudados
As linhas de pesquisa mais consistentes envolvem peptídeos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), o mesmo alvo de medicamentos anti-hipertensivos. Há também estudos sobre atividade antioxidante, antimicrobiana e imunomoduladora.
É importante separar o que foi observado em laboratório do que foi demonstrado em pessoas. Grande parte dos resultados vem de ensaios in vitro ou em animais, e os efeitos observados em humanos costumam ser modestos e dependentes de dose contínua.
O que ainda falta comprovar
O principal desafio é a biodisponibilidade: um peptídeo pode funcionar no tubo de ensaio e ser destruído por enzimas digestivas antes de chegar à corrente sanguínea. Sem medir a molécula intacta no sangue, é difícil atribuir o efeito ao peptídeo específico.
Por isso, autoridades sanitárias são restritivas com alegações de saúde em alimentos com peptídeos bioativos. No Brasil, alegações funcionais em alimentos precisam de comprovação avaliada pela ANVISA.